Empresas poderão ser obrigadas a exibir imagens de acidentes em rótulos de bebidas

Nos relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS) o Brasil figura como um dos países mais exigentes no que se refere a leis que punem motoristas que dirigem bêbados. O estudo aponta que, no país, são consumidos por ano e por pessoa 8,7 litros de bebidas alcoólicas. A média em outros 194 países é de 6,2 litros.

Os números podem ser usados para constatar outra triste realidade: o trânsito no Brasil mata mais de 30 mil pessoas todo ano. Uma boa parcela dos acidentes acontece em virtude da combinação fatal de álcool e direção. Para aumentar o nível de conscientização dos cidadãos, o deputado Diego Andrade (MG) apresentou na Câmara proposta (PL 10566/18) que obriga as empresas que fabricam e comercializam bebidas alcoólicas a incluírem nos rótulos fotografias de acidentes causados por motoristas embriagados.

Deputado Diego Andrade (MG) – Foto: Cláudio Araújo

“Acredito que a vida deve preponderar sobre a livre iniciativa comercial em vista do impacto positivo que as exibições dessas imagens possam ter na redução do número de acidentes de trânsito”, argumentou o parlamentar. Somente nos quatro primeiros meses de 2018, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou mais de 300 mortes em acidentes causados por condutores que haviam ingerido bebida alcoólica.

As imagens dos acidentes deverão vir acompanhadas do slogan “se beber, não dirija”, já presente nos produtos alcoólicos comercializados no país. A matéria está tramitando nas comissões da Câmara, e ainda deverá ser apreciada pelo Senado Federal.

“Dei PT em seis carros. Hoje só vou de Uber”

O assessor parlamentar Paulo Eiras, 35, já viu a morte de perto. Com 21 anos ele teve o primeiro – e mais sério – dos seis acidentes que o fizeram repensar a sua vida.

“Em todos eu tinha bebido antes, mas a gente sempre acha que vai acontecer com o próximo. No meu caso foram seis vezes até que eu parasse para pensar e me conscientizar sobre o que eu estava fazendo. Fiquei 33 dias em coma e depois mais seis meses no hospital para reaprender a andar”, conta.

Depois do último acidente, em julho de 2016, Eiras decidiu que não compraria mais carro. Se por um lado a cervejinha aos finais de semana ainda é sua companhia predileta, a consciência também tomou espaço em sua conduta.

“Hoje sei que não combina, e agora só uso aplicativo de transporte. Tento influenciar meus amigos para que eles não bebam e dirijam. Tenho a minha história para contar e mostrar como a vida pode acabar numa imprudência dessas”.

Lei Seca completou dez anos

A Lei Seca foi sancionada em 19 de junho de 2008 e, desde então, o número de acidentes fatais no trânsito teve queda de 14%. Os dados são do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. No ano em que passou a vigorar, em 2008, foram 38,2 mil mortes. Em 2017, 32,6 mil.

Renan Bortoletto

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