Stephanes alerta para deficiência de infraestrutura de portos no país

O deputado federal e ex-ministro da Agricultura Reinhold Stephanes (PSD-PR) fez um alerta para a deficiência de infraestrutura e capacidade dos portos no país. Ele cita o atraso na entrega de fertilizantes por causa da fila de navios que aguardam para o desembarque do insumo no porto de Paranaguá como exemplo da falta de estrutura.

Segundo a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), ligada à Secretaria de Infraestrutura e Logística do estado do Paraná, há cerca de 20 dias, existiam 150 navios aguardando para atracar em Paranaguá. Nesta quarta-feira (29) ainda somam 107. Destes, 40 são de fertilizantes o que, segundo Stephanes, pode significar ainda mais de trinta dias para o desembarque.

O deputado diz que o problema se agrava porque o Brasil é totalmente dependente da importação de fertilizantes. “Em alguns produtos como o potássio, nós importamos 91%, isso dá um total de 18 milhões de toneladas de fertilizantes que são importados para fazer as misturas internamente. E mais da metade desses insumos desembarcam pelo porto de Paranaguá”, destaca.

O ex-ministro classifica como crônico o fato de os navios ficarem aguardando de 15 a 20 dias para descarregarem no porto de Paranaguá. Ele ressalta que um navio parado custa entre 40 e 50 mil dólares por dia. “Evidentemente vai encarecer o custo do fertilizante e isso acaba sendo pago pelo produtor que usa o produto. E neste momento, a situação se agravou primeiramente porque, além do atraso normal com navios parados, nós tivemos ainda a greve dos funcionários do Ministério da Agricultura e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que dobraram esse tempo. Quer dizer, hoje, nós temos muitos navios com esses insumos parados e a demora para descarregar está entre 30 e 40 dias, ou seja, o tempo é longo, o que encarece muito”, avalia.

Reinold Stephanes lembra que a época de plantio na região Norte está chegando e segundo ele, possivelmente, os fertilizantes não chegarão a tempo das necessidades do plantio. “Há áreas no Brasil que já deviam estar, nesse momento, jogando fertilizantes no solo para iniciar o plantio. Então, estamos diante de uma questão bastante dramática”.

O deputado salienta que os prejuízos serão, principalmente, para quem produz. “A falta de infraestrutura, de logística e o alto custo do fertilizante acaba encarecendo a produção. Diminui a rentabilidade do produtor e poderá eventualmente amanhã, diminuir a produção e em consequência, é claro, aumentar o preço”, observa.

De acordo com a APPA, existem 20 berços de atracação para navios no Porto de Paranaguá. Diante da situação, no Porto de Antonina foram abertos dois berços para o desembarque dos navios com fertilizantes, cada um tem seis navios parados. Há também um grande número de navios com cargas de granel; são quase 50 ao largo aguardando para atracar em Paranaguá.

No ano de 2011, a movimentação de cargas no porto foi de 1.239.926 milhão de toneladas.

Da Redação

Ouça a matéria:

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

[Baixar arquivo de áudio]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *