Modelo de sucesso, Fazenda da Esperança terá unidade no Amapá

Com 188 unidades espalhadas pelo Brasil e outras 133 pelo mundo, Fazenda será construída numa área entre Macapá e Mazagão

Um dos mais bem-sucedidos projetos de recuperação de pessoas com dependência química começa a se instalar no Amapá. A Fazenda da Esperança, nascida no Brasil, e que hoje já existe em vários países, será construída na região metropolitana de Macapá, com recursos de uma emenda parlamentar.

O terreno foi doado pela Diocese de Macapá, e fica entre os municípios de Santana e Mazagão. O início da construção será bancado com recurso de R$ 1 milhão de emenda do deputado federal Marcos Reátegui (PSD/AP).

Deputado federal Marcos Reátegui. Foto: Cláudio Araújo

“Depois da construção, a metodologia de tratamento dos pacientes permite a autossuficiência do projeto, sem precisar depender do poder público”, explica Marcos Reátegui.

A emenda é de 2018 para ser liberada em 2019. Os recursos são da Secretaria Nacional Antidrogas do Ministério da Justiça.

As tratativas para instalação do projeto começaram em 2015. Inicialmente, a Fazenda da Esperança seria instalada no município de Tartarugalzinho (232 quilômetros de Macapá), num terreno de 100 hectares que seria doado pelo ex-prefeito da cidade, Altamir Rezende, o “Mineiro”.

No entanto, dificuldades com a transferência das terras fizeram o projeto ser transferido para a nova área, menor, mas capaz de abrigar o complexo que será composto de alojamentos, clínicas, igrejas espaços de lazer e esporte, fábricas e lavoura.

No Amapá, a principal referência em tratamento para pessoas com dependência química é a comunidade terapêutica Monte Tabor, do psicólogo Tom Sobral. A comunidade, que fica no KM-70 da BR-156, tem mais de 600 pessoas e está superlotada.

Na Fazenda da Esperança, segundo estudo da Universidade de São Paulo (USP), 80% dos pacientes conseguem se livrar da dependência.

Autossuficiência

Nascida em Guaratinguetá (SP), no início da década de 1980, a Fazenda da Esperança existe hoje em 19 países com 133 unidades. No Brasil, são 188 centros que focam na disciplina, trabalho, esportes, cultura e religiosidade. Além dos próprios alimentos, os pacientes se recuperam produzindo cosméticos, pizzas, pães, confecções e até artigos de papelaria em escalas industriais, o que garante o custeio das unidades.

“Duas pessoas que se recuperaram ocupam posições importantes na Fazenda da Esperança. Um deles é um advogado, meu amigo, que hoje é o procurador-geral da Fazenda da Esperança. Trabalhamos juntos em Brasília, e ele tem uma posição de respeito no Ministério da Justiça. O outro é diretor da maior Fazenda da Esperança do mundo, que fica na Alemanha. É um brasileiro”, explicou o deputado, entusiasmado com o projeto.

Marcos Reátegui recordou que ouviu uma palestra de uma senhora na Fazenda da Esperança, onde ela ensinava que não é positivo ajudar familiares a resolver problemas gerados a partir da dependência.

“Quando a família tenta resolver esses problemas ela se torna codependente. É preciso que ele (o dependente) enfrente as dificuldades que ele cria”, explicou Reátegui.

A Fazenda da Esperança ainda não tem data para começar a funcionar no Amapá. A instalação definitiva do projeto vai depender de apoio financeiro.

A ideia do deputado agora é convencer outros parlamentares federais do Amapá a indicar R$ 1 milhão, cada, para o desenvolvimento da Fazenda.

Site Seles Nafes

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