Estado de Minas: Conselho reage a artimanha

Presidente do Conselho de Ética da Câmara critica manobra e anuncia que abrirá sessão que vai avaliar cassação de Cunha no mesmo horário da reunião da comissão do impeachment

Natália Lambert Hédio Ferreira Junior Especial para o EM

Brasília – Com o adiamento para a tarde de hoje da instalação da comissão especial que analisará o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, pode inviabilizar mais uma vez a reunião do Conselho de Ética, que tem como único ponto de pauta o caso dele próprio. Há pelo menos três semanas, aliados de Cunha conseguem, por meio de manobras, adiar a votação da abertura de investigação contra o deputado. Marcada para as 14h, a sessão no Conselho de Ética analisará a admissibilidade do processo de cassação de Eduardo Cunha por quebra de decoro parlamentar. Inscritos para o debate, há seis membros do conselho e três não-membros, fora os líderes, que podem pedir a palavra a qualquer momento. O presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PSB-BA), afirmou que dará seguimento normalmente à sessão até que a ordem do dia comece no plenário.

“Ele marcou a sessão dele para as 14h e eu vou começar a minha às 14h também. Ele vai forçar para que eu não tenha quórum, mas vou abrir para dar continuidade ao debate. Ele tentou mais essa medida paliativa, mas isso não me impede”, comentou Araújo. Sobre a possibilidade de a reunião no colegiado ser interrompida pela atividade no plenário, Araújo completa: “já temos outra sessão marcada para a quarta-feira (amanhã)”. Apesar dos adiamentos, o relator, Fausto Pinato (PRB-SP), tem esperanças de que o parecer seja votado ainda nesta semana. Ele protocolou o relatório em 16 de novembro e ainda não conseguiu fazer com que ele fosse votado. “Sou um deputado que vim com esperança. Vim com esperança de um país melhor, de um andamento das coisas boas. E não vou perder a esperança Se não der amanhã (hoje), continuamos na quarta, na quinta. Vamos tentar fazer o possível dentro da nossa limitação”, comentou.

Inconformado com a possibilidade de mais uma manobra de Cunha para atrapalhar o processo movido contra ele no Conselho de Ética, o deputado Chico Alencar (PSol-RJ) disse que não será estranho se os aliados do presidente enrolarem o debate para conseguirem adiar pela sexta vez a sessão. “Isso é muito degradante, desmoraliza mais uma vez o parlamento e o próprio processo do impeachment.”

Aliado de Cunha, o deputado Manoel Junior (PMDB-PA) afirma que não há manobras. A estratégia deles também é votar. “Até para colocarmos os pingos nos is”. Junior é defensor do voto em separado apresentado pelo deputado Wellington Roberto (PR-PB) na última terça-feira. O parlamentar apresentou a sugestão de que se aplique uma pena de censura pública a Eduardo Cunha por ele ter “omitido” da sociedade contas no exterior durante depoimento na CPI da Petrobras. “Não somos um tribunal de inquisição, mas de responsabilização política. Vamos admitir e puni-lo pela omissão. Deixa ele se defender e responder do ponto de vista penal no Supremo”, afirmou.

Em relação à proposta de Wellington, o relator Fausto Pinatto (PRB-SP) tem muitas críticas. Para ele, neste momento, juridicamente, se apresenta um relatório pela admissibilidade ou inadmissibilidade. “Apresentar um pela admissibilidade e colocar uma pena alternativa fere o direito de contraditório, de ampla defesa e presunção de inocência. Tecnicamente, é um absurdo. Esse voto só tumultua os trabalhos”, acrescentou.

REPRESENTAÇÃO Esta semana, a Rede Sustentabilidade prepara, com outros partidos de oposição, um complemento da representação que apresentaram à Procuradoria-Geral da República pedindo a imediata saída de Cunha. “A cada dia, o presidente cria novas regras, o que mostra que ele não tem condições de presidir a Câmara”, afirmou Alessandro Molon (Rede-RJ).

Líder do PPS na Casa, o deputado Rubens Bueno (PPS-PR) também reafirmou a posição da oposição sobre a saída de Cunha da presidência. “Se cabe ao Conselho de Ética decidir sobre o presidente da Câmara e só lá é possível é lá que nós vamos ao debate. O nosso debate é pela votação, para atender a admissibilidade e processá-lo. E vai acontecer. Há prazo e vai acontecer.”

O ex-ministro Gilberto Carvalho avaliou ontem que o rompimento do PT com o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), após o peemedebista deflagrar o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, foi a “melhor coisa” que poderia ter ocorrido para o partido. Próximo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o petista afirmou que a “”ambiguidade” era ruim para a legenda.

“Estou feliz particularmente. Acho que a melhor coisa que podia acontecer era esse desfecho de romper com esse cara (Cunha)”, afirmou Carvalho, que foi ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República durante o primeiro governo Dilma Rousseff (2011-2015) e chefe de gabinete de Lula nas gestões do petista no Planalto. (Colaborou Julia Chaib)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *