JB Online: Setor de hotelaria e secretários municipais defendem legalização de cassinos

Debatedores defenderam nesta quarta-feira (25) a legalização dos cassinos no Brasil como forma de gerar empregos e aumentar a arrecadação federal. O tema foi debatido em audiência pública da Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados.

O presidente da Associação Brasileira de Resorts, Luiz Daniel Guijarro, disse que a legalização dos cassinos permitiria um aumento das taxas de ocupação dos resorts no País e dobraria o faturamento do setor. Segundo ele, mesmo com a crise, em 2015 o segmento de resorts deverá fechar com R$ 1,8 bilhão de receita, quase R$ 100 milhões a mais do que no ano passado. As projeções feitas caso os cassinos fossem legalizados apontam que a receita seria de R$ 2,16 bilhões.

O presidente da associação informou que a média de ocupação dos resorts brasileiros é de 60% ao ano e que aumentaria consideravelmente se houvesse a regulamentação dos jogos.

“Há um espaço para crescimento, se a gente considera a probabilidade de ter cassinos, já que, com esse segmento, vamos dar um salto de ocupação. É um segmento que traz uma linearidade, diferente do lazer e de eventos corporativos que são sazonais”, disse Guijarro.

Potencial econômico

O presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação, Alexandre Sampaio, informou que o jogo ilegal no Brasil movimenta R$ 18 bilhões. Para ele, o País tem um potencial em várias cidades do interior e será benéfico para a economia se os cassinos forem legalizados.

Alexandre Sampaio acrescentou que, só com os cassinos, o setor de turismo teria mais 400 mil postos de trabalho e ganharia mais investimentos internacionais. Ele também defendeu a possibilidade de cassinos nas capitais, mas ressaltou que o foco seria a interiorização dos empreendimentos.

Para o presidente da Confederação Brasileira de Convention & Visitors Bureaux, Márcio Santiago, o Ministério do Turismo deveria ser responsável pela regulação, fiscalização e arrecadação dos impostos relacionados aos cassinos. “O Brasil é o 4º país que joga nos cassinos de Las Vegas. Nós saímos daqui para jogar lá fora. São divisas que o Brasil deixa de receber”, disse.

Desenvolvimento dos municípios

O vice-presidente Institucional da Associação Nacional dos Secretários e Dirigentes Municipais de Turismo, Tenielson Campos, afirmou que a legalização dos cassinos no Brasil é uma saída para levar o desenvolvimento onde não existe o turismo.

Campos salientou que é importante que os cassinos gerem oportunidades para todo o município e não apenas para os resorts. “O cliente chega do aeroporto, vai direto para o resort e faz tudo ali. Isso não pode ficar só dentro do resort, é preciso gerar oportunidade para o empreendedor local”, defendeu Campos.

Para ele, a legalização dos cassinos deve levar em conta toda a cadeia de serviços funcionando e não concentrar apenas em resorts ou deixar que seja explorado apenas por investidores estrangeiros.

Cautela

O assessor da presidência do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), Walter Ferreira, recomendou cautela antes de legalizar os cassinos. “É preciso se preocupar com a imagem do Brasil no exterior quando não tivermos mais a mídia espontânea (como a Copa e as Olimpíadas). Como vamos manter esse legado de imagem do turismo brasileiro?”, alertou o assessor.

Para Ferreira, todas as formas que buscam desenvolver o turismo no Brasil interessam ao governo. “Nosso País fideliza: 78% voltam ao Brasil. Com o fim dos grandes eventos, essas podem ser as novas saídas”, disse.

Sobre a promoção internacional, Walter Ferreira afirmou que há interesse de aproximação com a iniciativa privada e na modernização da Embratur.

Vantagens

O deputado Herculano Passos (PSD-SP), que solicitou a audiência pública, afirmou que a geração de empregos e o aumento da arrecadação de tributos são as principais vantagens da legalização do jogo no País. “É preciso ter empresários que invistam nos lugares que vão receber o empreendimento”, disse.

Herculano Passos informou que, dos países onde há predominância da religião católica, apenas o Brasil não possui cassinos. “Estamos na contramão do que é o desenvolvimento. Brasileiro gosta de jogar, cada um joga o que quer e é esse que paga o imposto”, afirmou.

O deputado Edinho Bez (PMDB-SC) defendeu a legalização dos cassinos no País e também das loterias estaduais, para melhorar a arrecadação de estados e municípios.

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