Walter Ihoshi: Vitória da determinação

Milhares de pessoas se surpreenderam ao ouvir, no último sábado (07), o anúncio de que Tóquio vencera, de Istambul e Madri, a disputa para sediar as Olimpíadas 2020. A recente descoberta do vazamento de alta radioatividade na usina nuclear de Fukushima, a 250 km da capital japonesa, colocava em xeque a escolha dessa cidade. Por conta desse fato, alguns, inclusive, davam ao Japão a competição como perdida. Mas Tóquio venceu com folga. Sorte? Não. Preparo.

A verdade é que Fukushima, como caso isolado, não tiraria a vitória de Tóquio. Afinal, uma das principais características dos japoneses é a de superar problemas e tragédias a curto e médio prazos, e com uma eficiência que só eles têm.

Sem contar que a lista de predicados apresentada pelo Japão ao Comitê Olímpico Internacional se sobrepunha a qualquer obstáculo presente. Respaldado pela economia sólida, infraestrutura de ponta e um projeto moderno e grandioso, Tóquio apostou nas instalações futuristas, na segurança e no sistema de transporte público completo.

Votos também foram conquistados com a situação financeira estável do país, e as garantias de entrega de tudo o que foi prometido para as Olimpíadas. Num momento em que a crise econômica predomina na maior parte do planeta, ter um fundo de US$ 4,5 bilhões (mais de R$ 10 bilhões) disponível para o evento é um trunfo e tanto.

Pontos somados, ainda, às instalações que já estão praticamente prontas. Preocupados com os transtornos causados pelo trânsito, Tóquio vai abrigar todas as competições numa área com raio de cerca de oito quilômetros. Assim, tanto atletas quanto expectadores e jornalistas podem se locomover a pé. Economia de tempo, de dinheiro e, sobretudo, de estresse.

Segundo as autoridades japonesas, as obras pendentes serão construídas com uma visão de longo prazo. Grandes instalações que sirvam para uso em poucas ocasiões, por exemplo, podem ser demolidas, já que a manutenção desses lugares pode se tornar um fardo para o contribuinte. Oneroso e sem utilidade, se tornariam o que chamamos de “elefante branco”. O Japão quer evitar isso. Eles também estudam a possibilidade de construir pequenas instalações. Assim, os espaços deixados pelas Olimpíadas teriam mais chances de ser aproveitadas. Os japoneses pensaram em tudo. E continuam pensando. A Olimpíada é daqui a sete anos, mas eles se preparam desde a derrota para o Rio de Janeiro.

Os Jogos Olímpicos representam, para o Japão, um marco no processo de recuperação do terremoto, seguido de tsunami, que deixou 18 mil mortos no país, em 2010. É, também, uma reviravolta após 15 anos de estagnação econômica e pouca credibilidade internacional. As Olimpíadas de 2020 significam o resgate da confiança, o raiar de um futuro e de um novo sonho.

Eufórico com a vitória, ainda em Buenos Aires, na Argentina, o governador de Tóquio, Naoki Inose, prometeu organizar “os melhores Jogos da história”. Certamente, ele e toda a população se empenharão para isso. E será memorável, assim como em 1964, quando a capital japonesa foi palco deste evento pela primeira vez, pouco depois de ser devastada pela Segunda Guerra Mundial.

Em 2020, o mundo se encantará de novo com a hospitalidade, infraestrutura e organização dos japoneses. Pequenos detalhes perto da lição de determinação, disciplina, planejamento e superação que eles já nos deixaram novamente.

*Walter Ihoshi é deputado federal pelo PSD-SP

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